Alguem que já não Fui

uma pessoa, multiplicada em várias, com um pitada de sentimentalidade, um coração aberto, que solta palavras ao vento e voa com as borboletas...adora jardins...

Alguem que já não Fui

uma pessoa, multiplicada em várias, com um pitada de sentimentalidade, um coração aberto, que solta palavras ao vento e voa com as borboletas...adora jardins...
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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008, 05

05.05.08

Ponto final

 

Tereza abre os olhos lentamente e decide que aquele dia poderá ser diferente...pensa no que pode fazer...o que pode ser modificado...sabe da sensação que tem no meio do vazio de um dia que é sempre cinza...ela olha pela janela , pessoas andando nas calçadas, cachorros carentes, crianças inquietas e pais sem paciência...pensa ela que as pessoas poderiam muito mais sentir do que só agir...caminha até o banheiro e sentada em frente ao espelho, fica a pensar em escrever aquela velha carta...aquela que a muito tempo guarda no peito e nos seus pensamentos quando vai dormir...as palavras ecoam dentro de si...a coragem faltava, mas ela nunca teve coragem de dizer as palavras mais verdadeiras...a não ser com seu olhar confuso qd encontrava-se com ele...claro que Tereza nunca deixaria ele perceber tudo aquilo que a fazia imensa ... ela coloca a música no som, pega a xícara, ferve a água...era café solúvel...café solúvel é bem mais fácil de se fazer e tomar... a facilidade do cotidiano faz com que a gente não enxergue o prazer da caminhada...o que importa sempre é o resultado final para as pessoas...nada de processos...o resultado final de Tereza era sem fim...pega sua agenda, olhava para aquelas datas e de como não compreendia o tempo...algo tão longe parece tão perto...Tereza olha novamente pra janela , rachaduras na parede, um relógio velho de pêndulo que havia herdado da sua avó...uma lágrima cai de seu rosto e ela percebe o quanto ela mente pra si...pq não faz com que vejam o que sente? Pq se importa tanto com os outros a ponto de não fazer com que ninguém a enxergue? Que ninguém veja suas dores? Seus sentimentos?...ela quer gritar naquele momento e o silêncio presencia sua inquietação ...soluços surgem,fecha os olhos,coração palpita,a angústia toma conta da sua alma, suas mãos imóveis, seu corpo inerte...seu peito aperta...ela aperta os olhos como se conseguisse fazer com que o mundo a enxergasse...pega a folha em branco...ela vai apostar em todas as suas possibilidades...naquele dia tudo estava mais forte...segura o telefone, disca o número ...alguém atende e ela silencia...já fazia tanto tempo... risca a folha, faz desenhos confusos enquanto escuta a voz dele...ele continua na linha falando alô...ela trêmula, fica feliz só de ouvir a sua voz, queria que ele soubesse que era ela...tenta dizer algo...mas a sua boca não consegue...pq ele não adivinha o que sente e o que ela quer dizer? ...ela nem sabe o que quer dizer pq essas ciosas não se diz...já faz tanto tempo e algo teima em estar vivo...em acreditar que vale a pena...ela fica com seus pensamentos e questiona pq ele não escuta o que está em seu coração? ...a confusão...ela desliga e nota que desenhara no meio de seus rabiscos, trêmulos corações desordenados...é tudo tão simples, bastava olhar...segura a folha, decide escrever, respira fundo como se pudesse expulsar de si o q não se tem controle...pensa em tudo que viveram, como se conheceram, como tiveram o primeiro contato íntimo...como se sentiam bem olhando às vezes para o infinito...ou qd achavam graça cantando desafinados...era assim, simplesmente assim...cria coragem, aponta a ponta do lápis, olha para aquela folha em branco e começa escrever pelo ponto final...mas às vzs sua alma insistia ficar na reticências...

(Setembro de 2005)

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  • Postado em 00:18:08