
O vento passou pela minha face e momentaneamente lembrei de vc...há muito tempo não lembrava de vc , principalmente com o carinho que senti nesse momento...parecia até que era real...lembrei do seu sabor, da sua cor preferida, seu prato preferido,da saudade que nunca senti qd estava contigo...lebrei tb da vontade que tive de vc ser meu grande amor, mesmo sabendo que não era...era apenas vontade...sim , lembrei disso e me doeu o peito...aquela dor que vc não sabe se doe, lateja, internaliza, machuca, rasga...isso mesmo...aquela dor indecifrável e inaceitável por vc não estar ali...sim , pq acreditei que tudo poderia dar certo da forma mais bonita...senti isso, meu corpo tremeu...uma espécie de febre que não existe...lembrei do teu cheiro, de nossas aventuras,de comer chocolates em um lugar qualquer...de ver sua chegada, de sentarmos num banco e ver o por-do-sol...de esperar teu telefonema mesmo que fosse 3, 4, 5, 6, 10 vzs ao dia...sempre era bom ...os apelidos...os passeios de bicicletas , ver teus olhos brilharem toda vez que íamos comer pipocas pelas ruas...se éramos felizes? Vc me disse não saber...para outros diz não ter sido...e dentro de vc, o que realmente sentiu? Isso nunca vou saber e me martirizo por isso...gostaria de saber o que foi verdade ou não...se o que senti foi mentira...se foi ,prefiro acreditar que minha mentira era verdade pq assim pude ser feliz...o vento trazia uma chuva fina...lembrei de banhos de chuvas especiais, da entrega de flores, de trechos de livros que foram só lidos para mim...de me deitar em seu peito e adormecer com a tua música predileta...e mesmo assim me disse que não iria amar ninguém...a lembrança de tudo isso me dói por um momento pq pensei tê-lo apagado de minha vida e apenas um vento faz tudo voltar com uma força imensa...assim como o vento, vc passa e deixa a sensação de ter estado aqui por um momento infinito...pode ser em pensamento ou através da sua respiração solta em algum lugar que construiu com alguém e que algum momento, uma lembrança minha infiltrou-se em um gesto, uma cor, um sabor ou apenas um sorriso, pq a única coisa que sei , é que acreditei que no final do por do sol a lua iria aparecer...e o que vi foi apenas a noite com o céu nublado...mas não pude negar o fato que, apesar de não estar vendo a lua.,ela existia e estava ali...entendeu? ela estava ali...e vc não exergou a única coisa que pude te dar...e isso não tem nome apenas um sentido único que vai com o vento e que algum dia chegará em vc tarde, bem tarde ...apenas com uma saudade de algo que nem sabe de que é...porém a dor estará ali...sempre que o vento passar pelo meu rosto...então lembrei da casa que não construímos,do amor que não fizemos, do casamento que não tivemos, dos filhos que teríamos e dos nomes que escolheríamos para eles...lembrei do nosso primeiro país a visitar em nossa lua de mel...lembrei do pulo de para –quedas que prometemos e não realizamos, dos mergulhos do mar de noronha, dos nossos sonhos que não tivemos...e aí sim, aí sim, senti a verdadeira dor, daquela de não nos ter dado a oportunidade de sermos felizes...jogamos fora toda a compatibilidade e companheirismo que tínhamos...e agora fico a pensar no PODERIAMOS...isso sim dói. Como a lembrança de uma tempestade...paro,balanço a cabeça e me levanto ...fico a pensar que tudo não passou apenas de um vento que tocou a minha face e caminho naquele sol do dia chuvoso...sentindo as gotas da chuva em meus cabelos que voavam sobre meu rosto e confundia com algumas lagrimas que nem sei se eram reais ou apenas uma mentira verdadeira em que acreditei para poder ser feliz....
Dezembro de 2007

Tereza abre os olhos lentamente e decide que aquele dia poderá ser diferente...pensa no que pode fazer...o que pode ser modificado...sabe da sensação que tem no meio do vazio de um dia que é sempre cinza...ela olha pela janela , pessoas andando nas calçadas, cachorros carentes, crianças inquietas e pais sem paciência...pensa ela que as pessoas poderiam muito mais sentir do que só agir...caminha até o banheiro e sentada em frente ao espelho, fica a pensar em escrever aquela velha carta...aquela que a muito tempo guarda no peito e nos seus pensamentos quando vai dormir...as palavras ecoam dentro de si...a coragem faltava, mas ela nunca teve coragem de dizer as palavras mais verdadeiras...a não ser com seu olhar confuso qd encontrava-se com ele...claro que Tereza nunca deixaria ele perceber tudo aquilo que a fazia imensa ... ela coloca a música no som, pega a xícara, ferve a água...era café solúvel...café solúvel é bem mais fácil de se fazer e tomar... a facilidade do cotidiano faz com que a gente não enxergue o prazer da caminhada...o que importa sempre é o resultado final para as pessoas...nada de processos...o resultado final de Tereza era sem fim...pega sua agenda, olhava para aquelas datas e de como não compreendia o tempo...algo tão longe parece tão perto...Tereza olha novamente pra janela , rachaduras na parede, um relógio velho de pêndulo que havia herdado da sua avó...uma lágrima cai de seu rosto e ela percebe o quanto ela mente pra si...pq não faz com que vejam o que sente? Pq se importa tanto com os outros a ponto de não fazer com que ninguém a enxergue? Que ninguém veja suas dores? Seus sentimentos?...ela quer gritar naquele momento e o silêncio presencia sua inquietação ...soluços surgem,fecha os olhos,coração palpita,a angústia toma conta da sua alma, suas mãos imóveis, seu corpo inerte...seu peito aperta...ela aperta os olhos como se conseguisse fazer com que o mundo a enxergasse...pega a folha em branco...ela vai apostar em todas as suas possibilidades...naquele dia tudo estava mais forte...segura o telefone, disca o número ...alguém atende e ela silencia...já fazia tanto tempo... risca a folha, faz desenhos confusos enquanto escuta a voz dele...ele continua na linha falando alô...ela trêmula, fica feliz só de ouvir a sua voz, queria que ele soubesse que era ela...tenta dizer algo...mas a sua boca não consegue...pq ele não adivinha o que sente e o que ela quer dizer? ...ela nem sabe o que quer dizer pq essas ciosas não se diz...já faz tanto tempo e algo teima em estar vivo...em acreditar que vale a pena...ela fica com seus pensamentos e questiona pq ele não escuta o que está em seu coração? ...a confusão...ela desliga e nota que desenhara no meio de seus rabiscos, trêmulos corações desordenados...é tudo tão simples, bastava olhar...segura a folha, decide escrever, respira fundo como se pudesse expulsar de si o q não se tem controle...pensa em tudo que viveram, como se conheceram, como tiveram o primeiro contato íntimo...como se sentiam bem olhando às vezes para o infinito...ou qd achavam graça cantando desafinados...era assim, simplesmente assim...cria coragem, aponta a ponta do lápis, olha para aquela folha em branco e começa escrever pelo ponto final...mas às vzs sua alma insistia ficar na reticências...
(Setembro de 2005)